
O uso da tecnologia da SPlan, especialmente com os equipamentos da linha E e Y, tem se mostrado uma excelente ferramenta para o campo da fisioterapia e da reabilitação física e motora de pacientes. O blog conversou o fisioterapeuta Francimar Ferrari, uma das referências da área no Brasil e que, desde a chegada da SPlan no mercado nacional, tem utilizado os benefícios dela em Recife, cidade em que trabalha como coordenador e diretor da área da fisioterapia, seja em hospitais ou clínicas.
01 - Como a tecnologia da SPlan pode ser utilizada na reabilitação e no campo da fisioterapia?
A tecnologia da SPlan amplia as possibilidades da fisioterapia ao permitir uma prescrição de exercício mais precisa, segura, monitorada e adaptável às diferentes fases da reabilitação. Na prática clínica, ela pode ser aplicada desde pacientes com importante limitação funcional até indivíduos em programas de condicionamento, prevenção ou aprimoramento do desempenho físico.
Na fisioterapia, seu diferencial está na capacidade de controlar as variáveis do treinamento como resistência, velocidade, amplitude, modo de contração e nível de assistência ou oposição ao movimento, possibilitando uma intervenção mais individualizada e baseada na capacidade funcional real do paciente.
Tendo utilizado a tecnologia em diferentes cenários, incluindo reabilitação cardiopulmonar, saúde funcional do idoso, sarcopenia, fragilidade, pós-hospitalização e recuperação funcional de pacientes complexos. Ela também se aplica na transição hospitalar, se tornando particularmente relevante por permitir progressão terapêutica segura em pacientes ainda com baixa reserva fisiológica, intolerância ao esforço, descondicionamento importante ou déficits neuromusculares.
O uso de SPlan ajuda no ganho de força, potência, resistência muscular, controle motor, mobilidade funcional e desempenho em atividades da vida diária utilizando parâmetros objetivos e reproduzíveis. Isso favorece não apenas a intervenção, mas também o acompanhamento evolutivo, a tomada de decisão clínica e a comunicação de resultados. Enxergo que ela é uma plataforma tecnológica de treinamento funcional inteligente aplicada à fisioterapia contemporânea.
02 - Quais tipos de protocolos podem ser criados ou que já existem na tecnologia para ajudar no trabalho com lesões?
A tecnologia da SPlan permite a criação e adaptação de protocolos terapêuticos bastante diversificados, justamente pela capacidade de modular carga, velocidade, assistência, resistência, amplitude e modo de contração muscular conforme a necessidade clínica do paciente.
No campo das lesões musculoesqueléticas, podem ser estruturados protocolos para reabilitação de joelho, ombro, quadril, coluna, pós-operatórios ortopédicos, lesões musculares, tendinopatias e recuperação funcional progressiva. A possibilidade de utilizar modos de treinamentos concêntricos, excêntricos e isocinéticos favorece um trabalho mais refinado em diferentes fases do reparo tecidual e da recuperação funcional.
A contração excêntrica, por exemplo, possui grande relevância na reabilitação por permitir elevada produção de força com menor custo metabólico relativo, característica particularmente interessante em pacientes debilitados, idosos, cardiopulmonares ou em fases iniciais de recuperação funcional. Além disso, o treinamento excêntrico apresenta reconhecida aplicabilidade em tendinopatias, recuperação muscular, ganho de força, hipertrofia e controle funcional do movimento.
Já o modo isocinético agrega a vantagem do controle da velocidade do movimento ao longo de toda a amplitude articular, permitindo que a resistência se adapte continuamente à capacidade produzida pelo paciente. Isso aumenta a segurança, melhora a qualidade do estímulo terapêutico e favorece uma dosagem mais precisa do treinamento, sendo especialmente útil na recuperação neuromuscular, no trabalho de força funcional, na simetria muscular e na progressão controlada da reabilitação.
03 - Gostaria que falasse um pouco da sua experiência como fisioterapeuta no uso de SPlan com seus pacientes, o que tem aprendido com a tecnologia e como ela pode ajudar a impactar vidas?
Como fisioterapeuta, minha experiência com a tecnologia da SPlan tem reforçado algo que acredito fortemente sobre a reabilitação moderna: não basta apenas prescrever exercício; precisamos prescrever o estímulo certo, na dose adequada, para a capacidade funcional real de cada paciente. Na prática clínica, temos utilizado a tecnologia em diferentes perfis de pacientes, desde indivíduos com lesões musculoesqueléticas até idosos frágeis, pacientes com cardiopulmonares agudas e crônicas, pessoas com sarcopenia, desacondicionamento grave e pacientes em recuperação pós-hospitalar.
No ambiente de transição hospitalar, essa experiência tem sido particularmente marcante, porque lidamos frequentemente com pessoas que perderam força, autonomia, confiança no movimento e, muitas vezes, a própria perspectiva de recuperação. O que mais tenho aprendido com a tecnologia é a importância da individualização do treinamento e da precisão na progressão terapêutica. Recursos como assistência ao movimento, adaptação dinâmica da resistência, controle de velocidade, contração excêntrica e modos isocinéticos permitem construir programas muito mais ajustados às necessidades clínicas, respeitando limitações, mas sem subestimar o potencial de recuperação do paciente.
Outro aprendizado importante é perceber que muitos pacientes considerados “fracos demais”, “descondicionados demais” ou “complexos demais” podem responder muito bem quando conseguimos modular adequadamente o estímulo terapêutico, fato que aumenta o engajamento do paciente com a reabilitação. Em vários casos, observamos melhora de força, mobilidade, confiança funcional, tolerância ao esforço e participação nas atividades do dia a dia.
Para mim, talvez o maior impacto da tecnologia esteja exatamente nisso: transformar treino em oportunidade real de reconquista funcional. Quando um paciente volta a levantar sozinho, caminhar com mais segurança, recuperar independência ou retomar atividades significativas da sua vida, percebemos que não estamos apenas utilizando uma máquina, mas uma tecnologia que amplia possibilidades humanas.
04 - O fato de a tecnologia não ter o fator da gravidade e baixo impacto articular durante o uso pode ser benéfica em protocolos de reabilitação? Como isso é feito para para dar o melhor direcionamento para cada paciente.
Sim e essa característica pode representar um benefício importante em diversos cenários de reabilitação. A possibilidade de realizar treinamento com menor influência da gravidade, menor impacto articular e maior controle das cargas e velocidade do movimento amplia significativamente a capacidade de adaptação do exercício à condição clínica do paciente.
Na fisioterapia, frequentemente trabalhamos com indivíduos que apresentam dor, fragilidade, inflamação articular, baixa reserva fisiológica, limitações biomecânicas, pós-operatórios, descondicionamento importante ou intolerância ao esforço. Nesses casos, reduzir sobrecargas indesejadas sem eliminar o estímulo terapêutico pode ser decisivo para viabilizar o movimento, melhorar adesão e permitir progressão mais precoce e segura.
O uso de SPlan tem se mostrado um diferencial pois é possível direcionar a tecnologia para cada paciente. O processo começa por uma avaliação clínica e funcional detalhada: nível de força, mobilidade, capacidade funcional, sintomas, reserva fisiológica, objetivos terapêuticos e estágio da recuperação. A partir dessa análise, individualizamos parâmetros como intensidade da carga, velocidade do movimento, amplitude articular, tipo de contração (concêntrica, excêntrica, isocinética ou assistida), volume de treino e necessidade de suporte ou progressão. Dessa forma, conseguimos oferecer um estímulo suficientemente desafiador para promover adaptação fisiológica, mas suficientemente seguro para respeitar as limitações do paciente.
E o fato de haver menor demanda gravitacional não significa ausência de intensidade terapêutica. Pelo contrário: a tecnologia permite produzir estímulos musculares relevantes, inclusive com trabalho excêntrico e controle isocinético, mantendo maior precisão mecânica e menor agressão articular quando necessário. Isso nos ajuda a construir uma reabilitação mais personalizada, progressiva e funcional de cada caso.

