
Você sabia que treinar com SPlan e utilizar a tecnologia de forma direcionada podem ajudar a fortalecer e, a reabilitar a saúde dos tendões, as estruturas do nosso corpo que ligam os ossos aos músculos, os famosos organizadores das articulações. Os exercícios em qualquer um dos equipamentos da marca recrutam diretamente as fibras do tipo 2, que são mais profundas e difíceis de acessar durante os exercícios físicos. E se eles forem combinados a treinamento convencional, melhor ainda.
Geralmente, os especialistas recomendam que o treinamento excêntrico com a SPlan é a maneira mais segura para o tendão devido a ausências de picos de força, já que o método excêntrico trabalha de forma mais controlada e gradua, o que reduz impacto pela aceleração, por exemplo. Trabalhando de forma lenta, com o controle da velocidade, tem a vantagem de poder colocar maior força tensional, principalmente se for algo cadenciado, sem mudança de direção. E existe o fenômeno da complacência músculo tendínea, que vem do aumento da rigidez do tendão, sendo um mecanismo aprimorado de absorção de energia. Isso diminui a chance de lesões futuras, mesmo reincidentes. Eles também sugerem que exercícios que isolem a articulação, como a rosca direta, cadeira extensora e flexora, agachamento (região dos glúteos) trazem maiores benefícios para a performance e saúde dos tendões, pois eles oferecerem a postura mais estável e evitar exercícios que tenham instabilidade. Eles podem vir em um segundo momento, quando os tendões estiverem mais fortalecidos e condicionados.

Dr. Tiago Volpi com o Modelo E+ na Volpi Studio Eletro
Para mergulhar mais sobre o assunto, o blog da SPlan entrevistou o professor, consultor científico e proprietário da Volpi Studio Eletro, Tiago Volpi, de Americana (SP).
Confira abaixo:
01 — Como tem sido o trabalho e uso da tecnologia SPlan dentro do campo da reabilitação no seu negócio?
Minha experiência com a SPlan no Volpi Studio tem sido muito interessante, principalmente porque consigo integrar os princípios científicos do treinamento de força às necessidades específicas de cada cliente ou paciente. Trabalho o modelo E + com adultos interessados em hipertrofia, idosos com limitações funcionais, atletas e pessoas com condições musculoesqueléticas, incluindo dor lombar, instabilidade do joelho, problemas de ombro e indivíduos em recuperação pós-operatória.
Um dos aspectos que mais valorizo é a possibilidade de controlar a resistência externa com bastante precisão. Diferentemente dos equipamentos tradicionais, não precisoacrescentar ou retirar anilhas e pesos. No SPlan E+, consigo modificar a resistência rapidamente, com incrementos de apenas 100 gramas. Isso representa uma vantagem operacional importante, principalmente quando trabalho com pessoas que necessitam de progressões graduais ou apresentam menor tolerância ao esforço.
Na reabilitação, pequenas alterações na resistência podem ser relevantes. Um indivíduo com comprometimento do joelho, por exemplo, pode necessitar de uma progressão muito mais conservadora do que um atleta saudável. O controle refinado da carga me permite organizar essas progressões com maior flexibilidade, sempre considerando dor, amplitude de movimento, capacidade de produção de força e resposta ao exercício.
Outro diferencial que utilizo é a possibilidade de estabelecer resistências distintas para as fases concêntrica e excêntrica. Consigo aumentar ou reduzir a exigência mecânica durante o retorno do movimento sem precisar manipular manualmente o aluno. Isso amplia as estratégias de prescrição, especialmente quando quero enfatizar determinadas ações musculares.
O equipamento não substitui o conhecimento do profissional, mas amplia os recursos que tenho disponíveis para aplicar esse conhecimento na prática.
02 — Poderia explicar mais detalhadamente como tem utilizado a resistência digital na fase excêntrica no tratamento de lesões e reabilitação em seus pacientes?
A utilização da fase excêntrica é uma das aplicações que considero mais interessantes com SPlan. Para compreender sua importância, precisamos lembrar que, durante uma ação muscular excêntrica, o músculo produz força enquanto seu complexo músculo-tendíneo é submetido a uma condição de alongamento sob tensão.
Do ponto de vista neuromuscular, as ações excêntricas apresentam características específicas de produção de força, recrutamento neural e custo energético. Em determinadas condições, conseguimos produzir ou resistir a forças superiores às observadas durante ações concêntricas.
No treinamento convencional, uma dificuldade prática é manipular a resistência de maneira independente nas duas fases do movimento. Muitas vezes, para aumentar a exigência excêntrica, precisamos utilizar assistência externa, técnicas específicas ou equipamentos adicionais.
Com o modelo E+, consigo programar resistências diferentes para as fases concêntrica e excêntrica, sem precisar interferir manualmente no movimento do aluno. Isso facilita a aplicação de estratégias de sobrecarga excêntrica e permite explorar diferentes relações entre as duas fases.
Outra possibilidade que considero especialmente relevante é a utilização do método Eccentric Quasi-Isometric (EQI), ou ação excêntrica quase isométrica. Nesse método, procuro manter uma ação muscular de resistência com velocidade de alongamento muito baixa, produzindo uma exposição prolongada à tensão mecânica. Essa estratégia pode serinteressante em programas voltados à capacidade de carga do complexo músculo-tendíneo.
É importante compreender que o tendão responde à magnitude, à duração e à frequência dos estímulos mecânicos. Estudos demonstram que programas adequadamente estruturados de carregamento podem produzir adaptações em propriedades mecânicas tendíneas. Entretanto, ainda precisamos diferenciar a fundamentação geral do carregamento tendíneo da evidência específica sobre o método EQI aplicado com a tecnologia.
Na prática, considero essa estratégia particularmente interessante em exercícios voltados ao joelho, quadril e tornozelo, sempre respeitando a tolerância individual, o estágio de recuperação e a necessidade de progressão. Não considero a ação excêntrica superior em todas as situações. Minha abordagem é selecionar o tipo de contração mais adequado ao objetivo e à condição funcional do indivíduo. O diferencial do SPlan E+ é permitir que eu manipule a resistência excêntrica de forma independente, controlada e reproduzível, ampliando minhas possibilidades de prescrição.
03 — Quais benefícios e ganhos você tem percebido com o uso do E+? O que ele tem ajudado no dia a dia?
Na minha rotina profissional, percebo três benefícios muito relevantes com ele: agilidade na manipulação da resistência, precisão nos ajustes e possibilidade de explorar diferentes estratégias neuromusculares.
O primeiro benefício é o operacional. Não preciso interromper a sessão para colocar ou retirar anilhas, transportar pesos ou reorganizar constantemente o equipamento. Consigo modificar a resistência externa rapidamente e com ajustes de 100 em 100 gramas. Isso é particularmente útil quando trabalho com diferentes exercícios, grupos musculares ou indivíduos que apresentam capacidades físicas muito distintas.
O segundo é a possibilidade de manipular independentemente a resistência concêntrica e excêntrica. Isso me permite organizar sessões com diferentes objetivos, desde o desenvolvimento de força até aplicações específicas que enfatizam o controle da fase excêntrica. Já o terceiro está relacionado aos modos de resistência e às possibilidades de explorar a intenção de contração muscular.
No modo isocinético, por exemplo, consigo trabalhar com diferentes intenções de produção de força, incluindo situações em que o indivíduo procura acionar a resistência ou resistir à carga imposta pelo equipamento. Esse recurso é interessante porque a produção de força não depende exclusivamente das
propriedades musculares periféricas. Existe uma participação importante do sistema nervoso central, que organiza os comandos motores transmitidos pelas vias eferentes aos músculos. A intenção de produzir força, a velocidade pretendida e as características da tarefa podem modificar a estratégia de ativação neuromuscular. Naturalmente, não podemos afirmar que determinado modo do equipamento produz uma adaptação neuralespecífica sem avaliações apropriadas. Entretanto, do ponto de vista da prescrição, considero muito interessante poder organizar tarefas motoras com diferentes demandas de intenção e resistência.
Na prática, isso amplia meu repertório de intervenção com idosos, atletas, indivíduos em reabilitação e pessoas que procuram hipertrofia. O equipamento também permite dedicar menos tempo à manipulação física das cargas e mais atenção à execução, à resposta do aluno e às decisões de prescrição. Para mim, esse é um ganho importante na rotina de treinamento.
04 — Quais tipos de exercícios vocês utilizam mais no equipamento para montar protocolos de treino de acordo com cada paciente?
Minha prescrição parte de um princípio fundamental: não existe um exercício ideal para todas as pessoas. O que existe é uma combinação adequada entre o exercício, a resistência aplicada, a capacidade funcional e o objetivo do indivíduo. No Volpi Studio, trabalho com públicos bastante diferentes, desde atletas e pessoas que buscam hipertrofia até idosos, indivíduos com dor lombar e pessoas em reabilitação musculoesquelética. Por isso, considero especialmente importante ter um equipamento que permita ajustar a resistência de maneira rápida e precisa.
Nos programas direcionados ao joelho, priorizo padrões de movimento que desenvolvam a força do quadríceps, dos isquiotibiais e dos músculos do quadril. Exercícios como extensão e flexão de joelho, agachamentos e movimentos de extensão de quadril são possibilidades importantes. A escolha depende da avaliação individual, das restrições clínicas e da configuração utilizada no SPlan E+.
Uma das estratégias que considero interessantes é manipular a resistência excêntrica de maneira independente. Por exemplo, posso organizar um exercício com menor resistência concêntrica e maior exigência excêntrica, desde que o indivíduo apresente capacidade e tolerância adequadas. Essa diferenciação permite explorar características específicas da produção de força muscular.
Nos exercícios de quadril, destaco os movimentos de extensão e abdução, importantes para o desenvolvimento de força dos extensores e abdutores. Para pessoas com problemas de ombro, considero exercícios de remada, movimentos de puxar e empurrar e exercícios específicos de fortalecimento, sempre respeitando a capacidade funcional.
Com idosos, minha preocupação está relacionada à manutenção da força, autonomia e capacidade de realizar atividades cotidianas. A literatura demonstra que o treinamento resistido progressivo pode melhorar a força muscular nessa população, embora os resultados funcionais dependam das características da intervenção.
Outra possibilidade que exploro é o modo isocinético. Nesse contexto, consigo trabalhar a intenção de produzir força, mesmo quando a velocidade do movimento é controlada pelo equipamento. Essa distinção é importante porque a intenção de contração podeinfluenciar as adaptações neuromusculares, conforme demonstrado em estudos sobre especificidade da velocidade de treinamento.
Também considero o método EQI uma estratégia interessante para exercícios selecionados, particularmente quando desejo trabalhar uma exposição prolongada à tensão muscular e tendínea. Entretanto, sua utilização precisa ser individualizada, e não considero que exista evidência suficiente para atribuir ao EQI com o SPlan E+ resultados clínicos específicos.
Minha proposta e da minha equipe é utilizar a resistência digital como uma ferramenta de precisão na prescrição. O mesmo exercício pode ser direcionado ao desenvolvimento de força, hipertrofia, controle motor ou recuperação funcional, dependendo de como organizo a resistência, a velocidade, a amplitude e o volume de treinamento.
05 — Quais perfis de pacientes você e sua equipe costumam atender no seu espaço com SPlan?
Atendemos adultos interessados em treinamento de força e hipertrofia, idosos com limitações funcionais, pessoas com dor lombar, indivíduos com lesões ou instabilidade do joelho, pessoas com problemas de ombro, pacientes em reabilitação pós-operatória e atletas ou praticantes esportivos.
Essa diversidade de perfis é justamente um dos motivos pelos quais valorizo a resistência digital adaptativa. Tenho necessidades de prescrição muito diferentes dentro do mesmo ambiente de treinamento e preciso de recursos que permitam adaptar o estímulo a cada pessoa.
Com idosos, por exemplo, a prioridade frequentemente envolve melhorar ou preservar a força muscular e a capacidade funcional. O treinamento resistido possui evidências consistentes de benefícios para essa população. A possibilidade de ajustar a resistência em incrementos de 100 gramas é especialmente interessante quando preciso realizar progressões graduais.
Nos indivíduos com instabilidade do joelho ou em recuperação pós-operatória, considero a tolerância à carga, a amplitude de movimento e o estágio da recuperação. Nessas situações, a possibilidade de diferenciar a resistência concêntrica da excêntrica amplia minhas opções de intervenção. Naturalmente, essas estratégias devem respeitar as orientações clínicas e as restrições de cada paciente.
Para pessoas que procuram hipertrofia, exploramos diferentes formas de organizar a sobrecarga muscular. Já com atletas, tenho interesse especial na produção de força, na intenção de contração e na manipulação das características mecânicas dos exercícios. Uma das características que mais valorizo no SPlan E+ é não precisar reorganizar fisicamente o equipamento sempre que mudo de exercício ou de aluno.
A resistência é ajustada rapidamente, e isso facilita meu trabalho com pessoas que apresentam níveis muito diferentes de força.Minha atuação como consultor científico da SPlan Brasil também influencia esta experiência. Procuro avaliar os recursos do equipamento com o olhar de pesquisador, compreendendo seus fundamentos biomecânicos e suas possibilidades reais de aplicação.
Para mim, o valor da tecnologia está em permitir que diferentes pessoas recebam estímulos adequados às suas necessidades, sem perder o rigor da prescrição individualizada, propondo a integração entre ciência, experiência profissional e a tecnologia.

